30 de janeiro de 2018

No RN, Idema orienta população a não alimentar nem agredir macacos

Equipe de biólogos do Parque das Dunas tem acompanhado epidemias de doenças entre os primatas que vivem no bosque.
Por G1 RN
O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) soltou uma nota em que orienta a população para que não alimente os saguis em suas áreas de conservação. Além disso, o órgão reforçou que não há razão de agredir os macacos, e que essa agressão é crime ambiental previsto na Lei Federal nº 9.605/98.
O Idema informou que, há pouco mais de um mês, a equipe do Parque das Dunas, área de preservação na Zona Sul de Natal, acompanha uma epizootia de saguis-de-tufos-brancos (Callithrix Jacchus), primatas que vivem na área do bosque. De acordo com o que explica o próprio Instituto, epizootias são episódios de doenças que acometem uma determinada comunidade animal e que se dissemina com rapidez.
Ao longo dos anos já aconteceram diversos casos e, neste recente, assim como nos anteriores, toda a vigilância e monitoramento estão sendo feitos. O Idema alerta sobre a importância da sensibilização das pessoas para não alimentarem animais silvestres. O hábito de oferecer alimentos aos bichos não é recomendado por biólogos por interferir na manutenção natural dos ecossistemas.
“Os saguis-de-tufus-brancos são primatas endêmicos do Nordeste e únicos primatas que vivem na área do Parque das Dunas. Toda alimentação deles é baseada em frutos, seiva, insetos, ovos, ou seja, uma variedade de alimentos que os animais encontram na Mata. A própria Natureza oferece toda a água e nutrientes necessários para a sobrevivência dos saguis, sem a necessidade da interferência do homem”, afirma o biólogo do Parque das Dunas, responsável pelo setor de fauna, Dhyego Melo.
Os usuários do Parque que se depararem com saguis com sinais de doença, mortos ou com comportamento atípico, devem comunicar à administração. As epizootias são comuns na área do Parque e, até o momento, nenhuma delas teve relação com febre amarela e raiva. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, no Rio Grande do Norte foram registradas 48 epizootias no ano de 2017, sendo que 20 dessas já foram descartadas para as duas doenças.
“Em processos de epizootias não podemos descartar a hipótese do próprio ser humano transmitir doenças para os animais. A herpes humana, por exemplo, é extremamente letal nos primatas e se dissemina muito rápido, então estamos em alerta. É fundamental que as pessoas que frequentam o Parque não alimentem os animais”, disse Dhyego Melo.
Em virtude dos casos de febre amarela registrados em outros estados brasileiros, circularam notícias de pessoas que atentaram contra os macacos, em uma tentativa de impedir a circulação do vírus da febre.
“É importante que a população saiba que a vigilância está acontecendo, que epizootias anteriores não mostraram nenhuma relação com a febre amarela e que nosso estado não é zona de risco. Não há portanto, motivo para pânico, tampouco razão para agressão aos animais, aliás, agredir animais é crime ambiental previsto na Lei Federal nº 9.605/98”, ressaltou Dhyego.
A jornalista Margot Ferreira encontrou próximo à residência em que mora, no Tirol, Zona Sul de Natal, um sagui com uma pata dianteira e uma traseira amputadas. "Moro na beira da região de mata, é sempre cheio de micos aqui. Mas sumiram. E quando apareceu, foi esse mutilado. Pode ter sido um choque um choque, pode ter sido um animal maior, mas também pode ter sido a ignorância do povo", relata.
Ciro Fagundes, veterinário do Centro de Zoonoses, recolheu o animal no local, depois que a jornalista acionou o serviço. Segundo ele, o sagui ainda passará por exames, para que se produza um laudo que vai precisar o motivo da morte e das lesões. Ainda segundo Fagundes, é comum entre esses macacos amputações por razão de choque em fiação elétrica. O veterinário informou ainda que o Centro de Zoonoses recolheu, em 2018, treze saguis mortos. Em nenhum dos casos o que levou os animais à morte foi o vírus da febre amarela.

Epizootia no Parque

A epizootia que acontece desde 14 de dezembro no Parque das Dunas está sendo acompanhada por profissionais da Unidade de Conservação, da Secretaria Estadual de Saúde (SESAP), Secretaria Municipal de Saúde (SMS), do Centro de Controle de Zoonoses e do Laboratório Central de Saúde Pública do Rio Grande do Norte. A equipe se reúne frequentemente para discutir o assunto, analisar as informações e somar esforços para sanar dúvidas e especulações da população. As amostras desses animais são coletadas pelo Centro de Controle de Zoonoses com destino final no Instituto Evandro Chagas, em Belém (PA).
Na área do Parque existem placas proibitivas sobre alimentar os saguis. Esses animais estão acostumados com a presença de humanos e a população tem um papel fundamental nesse processo.

Recomendações do Idema

- Não alimente saguis. Ao alimentar esses animais, as pessoas podem transmitir doenças, e muitas vezes uma doença comum em pessoas pode ser fatal para o animal;
- É importante também não deixar alimentos em locais de fácil acesso, esses animais são espertos e invadem imóveis atrás de comida;
- Se encontrar um animal morto, doente ou com comportamento atípico, deve-se entrar em contato com o Centro de Controle de Zoonoses através do 3232-3285 (se for na área do Parque das Dunas, informar à administração do local);
- Não tentar pegar o animal, pois mesmo se estiver doente e frágil, se ele se sentir acuado poderá reagir e morder para se defender.
- As epizootias ocorrem, e para isso, os casos devem ser comunicados para que o processo seja acompanhado adequadamente.

24 de janeiro de 2018

Ibama proíbe trânsito interestadual de aves com anilhas de alumínio

Brasília – A Instrução Normativa do Ibama (IN) n° 14 de 2017, publicada em 2 de janeiro de 2018 no Diário Oficial da União, proíbe o trânsito interestadual de aves marcadas com anilhas de alumínio, anel de identificação que atesta nascimento em cativeiro. Por se tratar de material maleável, o alumínio facilita a adulteração.
A fraude mais comum é a compra de anilhas em quantidade superior ao nascimento de filhotes em cativeiro. O excedente é comercializado ilegalmente no Sistema Informatizado de Gestão da Criação Amadora de Passeriformes (Sispass) do Ibama e usado para marcar aves adultas capturadas na natureza, o que favorece o tráfico de animais.
“O objetivo da norma é dificultar o comércio ilegal de anilhas no Sispass”, diz a coordenadora de Monitoramento do Uso da Fauna e Recursos Pesqueiros, Maria Izabel Gomes.
Para o coordenador de Operações de Fiscalização do Ibama, Roberto Cabral, a medida reforça o combate ao tráfico interestadual de pássaros, mas precisa ser estendida ao trânsito que ocorre dentro dos estados por normas editadas pelos órgãos estaduais de meio ambiente.
Desde 2001, quando o Ibama passou a controlar a entrega de anilhas, especialistas do Instituto desenvolvem normas para tornar mais rígido o controle da fabricação, comercialização e uso de anilhas, dificultando adulterações e falsificações.
Em 2003, a IN 01/2003 proibiu a transferência e o transporte de passeriformes portadores de anilhas abertas. Em seguida, a IN nº 82/2005 instituiu novo padrão alfanumérico de codificação, e a IN 161/2007 proibiu a transferência de espécimes com anilhas de federações de criadores amadoristas.
Mais recentemente, a IN nº 16/2011 (alterada pelas Instruções Normativas nº 03/2012 e 04/2016) estabeleceu regras para fabricação e distribuição de anilhas em aço inox para criadores de aves silvestres, estabelecendo as etapas do processo de credenciamento das fábricas dessas anilhas.
“A anilha deve ser um instrumento de marcação inviolável. As fraudes possibilitam que animais capturados ilegalmente na natureza sejam usados e vendidos como se tivessem nascido em cativeiro”, diz Maria Izabel.
A criação amadorista de pássaros está regulamentada desde a década de 1970. As aves podem ser mantidas e reproduzidas em cativeiro por criadores autorizados desde que não ocorra captura na natureza.

Mais informações:
Instrução Normativa do Ibama (IN) n° 14 de 2017
Assessoria de Comunicação do Ibama.

23 de janeiro de 2018

APODI-RN: Barragem Santa Cruz está com 14,28% de sua capacidade, diz relatório do Igarn

Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por meio do Instituto de Gestão das Águas (Igarn), divulgou nesta segunda-feira (22), o Relatório da Situação Volumétrica dos 47 reservatórios com capacidade superior a cinco milhões de metros cúbicos monitorados pelo Igarn.
O relatório indica que mesmo após as chuvas registradas por todo o Estado no último final de semana, as reservas hídricas não obtiveram mudança significativa e o quadro permanece crítico. Um deles é a barragem Santa Cruz do Apodi que está com 85,628 milhões de m³, o que corresponde a 14,28% do seu volume total, que é de 599,712 milhões de m³.
Maiores reservatórios do Estado:
Maior reservatório do Estado, com capacidade para 2,4 bilhões de metros cúbicos, a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves continua em volume morto, com 271,845 milhões de metros cúbicos, o que corresponde a 11,33% do total de água que o manancial pode armazenar. A barragem Santa Cruz do Apodi está com 85,628 milhões de m³, o que corresponde a 14,28% do seu volume total, que é de 599,712 milhões de m³. Já Umari, em Upanema, está com 39,450 milhões de m³, em porcentagem, 13,47% da sua capacidade de armazenamento.
Dos 47 reservatórios monitorados pelo Igarn, 17 estão secos, em porcentagem, 36%. Outros 17 estão em volume morto. A bacia Apodi/Mossoró está com 11,95% do seu volume total de armazenamento. Já a bacia Piranhas/Assu está com 11,29% do seu volume total.
*Icém Caraúbas.